Hospital de Itabaiana registra marco histórico com primeira captação de órgãos fora da capital


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A saúde pública sergipana acaba de dar um passo inédito e simbólico: pela primeira vez, uma captação de órgãos foi realizada fora da capital. O procedimento ocorreu nesta quarta-feira (8), no centro cirúrgico do Hospital Regional de Itabaiana Dr. Pedro Garcia Moreno Filho, e envolveu a retirada de rins e córneas.

O avanço é resultado direto da atuação do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), que tem apostado na descentralização dos serviços para fortalecer o atendimento no interior. A cirurgia só foi possível após a autorização da família do doador — um homem de 34 anos que deu entrada na unidade no fim de setembro, após uma parada cardiorrespiratória. O paciente, portador de paralisia cerebral, chegou a ser reanimado e internado, mas evoluiu para morte encefálica.

Para o superintendente do hospital, Yuri Souza, o feito representa muito mais do que um procedimento médico: “É um marco histórico para nossa unidade e para o SUS em Sergipe. Isso mostra que a saúde pública está avançando para além da capital, garantindo que mais pessoas tenham acesso a cuidados de alta complexidade com humanização e eficiência.”

O diretor técnico do hospital, Samuel Rodrigues, também destacou o gesto da família do doador. “Em meio à dor, eles escolheram transformar a perda em esperança. Essa atitude salvou vidas e devolveu a visão a pacientes que aguardavam por um transplante. É um ato de amor que reafirma o compromisso de todos nós com a vida”, afirmou.

A captação foi conduzida pela Organização de Procura de Órgãos (OPO), que acompanhou o protocolo e o acolhimento familiar. Após a autorização, os órgãos foram encaminhados à Central Estadual de Transplantes (CET), que coordena a destinação para receptores compatíveis dentro do Sistema Nacional de Transplantes.

Como se tornar doador

Em Sergipe, a doação de órgãos só ocorre com a autorização expressa da família. Por isso, o primeiro passo é simples: conversar e deixar claro o desejo de ser doador.
O protocolo começa com a identificação de pacientes com suspeita de morte encefálica — aqueles em coma profundo, com escala Glasgow 03. A partir daí, a equipe da OPO acompanha o caso até a confirmação do diagnóstico e, caso haja autorização familiar, os órgãos podem ser destinados a quem aguarda na fila do transplante.

Por Redação

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